Percebi que ainda não publiquei nada em 2026, mesmo tendo tantas palavras perdidas nos rascunhos desse blog.
Eu escrevi. E escrevi pra caralho.
Escrevi inclusive no diário que tenho sustentado desde o dia em que decidi mudar. Mas nada interessante ou poético o bastante para vir para cá.
Então aqui estou eu, numa tarde qualquer de uma terça-feira atarefada, tentando organizar os pensamentos para produzir uma atualização breve. Quero reler isso daqui alguns meses ou anos e relembrar, assim como faço com os intermináveis outros textos aqui publicados.
Esse ano eu me apaixonei. Foi em janeiro, quando eu tinha absoluta certeza de que seria algo casual e bobo, sem importância. Spoiler? Não foi. Eu me apaixonei no momento em que entrei no Uber e me peguei com um sorrisinho bobo no rosto relembrando os detalhes daquela noite com frio na barriga, imaginando como seria formar um casal com a pessoa que me fez feliz num date rápido de quinta-feira.
As coisas não melhoraram. Continuei imaginando, criando cenários, pensando e repensando a cada minuto do dia.
O problema de tudo isso foi que eu me apaixonei sozinha.
Faz parte. Acontece. A vida é assim. Pessoas adultas e com inteligência emocional em dia sabem que relações casuais podem sair pela culatra.
E eu sei de tudo isso.
Ou melhor, minha mente sabe. A mesma mente que insiste em pensar que esse caos pode mudar. Que a tal pessoa pode milagrosamente perceber que também está apaixonada e disposta a explorar esse sentimento. A ilusão é uma merda. Se apaixonar é um saco. Todos os aspectos da minha vida estão perfeitos, exceto o coração.
O coração anda amargo.
Esperançosamente amargo.
Fora esse pequeno contratempo, as coisas andam boas. Me encontrei ainda mais nos esportes que experimentei, nunca me alimentei tão bem, tenho como me sustentar sozinha e meu círculo social está bem adequado. Gosto de passar tempo com a minha família, amo a risada dos meus sobrinhos, descobri músicas novas e minha casa está tomando forma de lar.
Tudo parece bom.
Exceto o coração.
O coração está desesperadamente amargo.
Estar apaixonada é uma merda.